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Brasília - A organização não-governamental Grupo de Trabalho Amazônico
(GTA) elogiou estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
que resultou em dez mapas temáticos da região amazônica. O mapeamento revela o
potencial econômico e o avanço desordenado da pecuária, agricultura e mineração
sobre o meio ambiente local.
O Mapa Integrado dos Zoneamentos Ecológico-Econômicos dos
Estados da Amazônia Legal (ZEE) foi desenvolvido pelo Ministério do Meio
Ambiente e IBGE vai dar subsídios para o planejamento territorial da região
amazônica, uma vez que identifica as áreas com estrutura produtiva definida ou
por definir; áreas que precisam ser recuperadas ou reordenadas; áreas onde há
manejo florestal ou de proteção ambiental, entre outras.
Apesar do elogo, o GTA - que reúne 602 entidades e está
estruturada nos nove estados da Amazônia Legal – defende que não basta apenas
definir linhas de mapeamento, mas que é necessário implementar mecanismos
concretos que envolvam estados, municípios e a população nos projetos de
desenvolvimento da região.
Para um dos coordenadores do GTA, engenheiro florestal Luiz
Augusto Mesquita de Azevedo, a sociedade precisa tomar conhecimento do
resultado do mapeamento para que possa interagir e participar ativamente do
processo de ordenamento e manejo da região.
“O estudo precisa chegar à população. Precisamos na Amazônia
de vários instrumentos, como mais fiscalização e aprofundamento da legislação
local, além de mecanismos econômicos que estimulem o uso sustentável das áreas
que o mapeamento coloca como de uso intensivo, propondo um manejo diferenciado
do modelo atual de conversão da floresta para pastagem ou para plantio de
agronegócio”, ressalta Mesquita.
Coordenador do Projeto de Fortalecimento da Participação
Social no Plano da BR 163 (Profor 163), o engenheiro assinala que o ZEE traz
também um estudo detalhando as áreas produtivas e as de proteção ambiental na
zona da rodovia, que corta os estados do Mato Grosso e do Pará.
“O ZEE faz parte do plano de ação para o desenvolvimento sustentável
da BR 163. Agora, precisamos, sim, de ações mais efetivas, como cronogramas de
execução de projetos, destinações orçamentárias. Não podemos ficar só no
estudo. Falta também mais empenho da maioria dos 21 ministérios que compõem o
projeto de ação da rodovia”, afirma Mesquita.
A BR 163 é rota de escoamento de soja, e a região cortada
pela rodovia passa atualmente por um acelerado processo de ocupação e
desmatamento. Em junho do ano passado, após aprovar o asfaltamento do restante
da estrada, o governo lançou um plano de desenvolvimento sustentável local, que
prevê combate à grilagem e ao desmatamento, além da criação de unidades de
conservação. A BR 163 foi aberta nos anos 70 como mais uma medida dos militares
para integrar a Amazônia à economia nacional.
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